Conhecido popularmente como o “Imposto do Pecado”, o Imposto Seletivo (IS) surge na Reforma Tributária com uma missão específica. De competência federal, o tributo foi desenhado para atuar como um mecanismo de desestímulo ao consumo de bens e serviços que geram danos à saúde pública ou ao meio ambiente, substituindo parte da antiga função extrafiscal do IPI.

O Funcionamento do “Pecado” no Fluxo de Caixa
Diferente do IBS e da CBS, que seguem a lógica do valor agregado com créditos e débitos em cada etapa, o Imposto Seletivo possui características singulares:

Incidência Monofásica: O imposto é cobrado uma única vez na cadeia, geralmente na produção ou importação. Não há aproveitamento de créditos de etapas anteriores.

Base de Cálculo: O IS integrará a base de cálculo do IBS e da CBS. Na prática, isso significa que o valor do “Imposto do Pecado” elevará o montante sobre o qual os outros dois tributos incidirão, potencializando o efeito de preço no consumidor final.

Isenção nas Exportações: Como regra geral, o IS não incidirá sobre vendas para o exterior, com exceção da extração de minerais, garantindo a competitividade da indústria nacional.

O “Alvo” do Seletivo: Quais Setores Serão Afetados?
A lista de produtos sujeitos ao IS foi definida com base em critérios de externalidades negativas. Os principais destaques incluem:

Cigarros e Produtos Fumígenos: Terão alíquotas elevadas (estimadas em até 250%) para reduzir o tabagismo.

Bebidas Alcoólicas e Açucaradas: A tributação será escalonada conforme o teor alcoólico ou a concentração de açúcar.

Veículos, Aeronaves e Embarcações: A alíquota variará conforme a potência, eficiência energética e pegada de carbono, premiando tecnologias mais limpas.

Extração de Minerais: O petróleo, o gás natural e o minério de ferro terão uma incidência máxima de 0,25% sobre o valor da extração.

Calendário de Implementação
A transição será gradual para evitar choques no mercado. O Imposto Seletivo entrará em vigor em 2027, coincidindo com o início da extinção do IPI. Até 2033, o sistema passará por ajustes anuais até que o novo modelo esteja 100% operacional.

Para os gestores, o desafio imediato é o mapeamento dos SKUs. Identificar quais itens do catálogo se enquadram no IS é vital para o planejamento de margens, já que esse custo não será recuperável via créditos tributários, tornando-se um custo direto de operação.

Comentários

comentários


Conheça o ERP da Nortesys

Sobre o autor

Paulo Felipe

Redator Especialista em Fintechs