Considerado um dos setores com a operação fiscal mais complexa do país devido à enorme variedade de itens (SKUs), o setor supermercadista está no centro das atenções da Reforma Tributária. Com a transição iniciada em 2026, o varejo alimentar deixa de ser apenas um “vendedor de produtos” para se tornar um hub tecnológico de arrecadação em tempo real.
1. A Nova Cesta Básica Nacional: O Alívio no Caixa
A principal vitória do setor foi a consolidação da Cesta Básica Nacional com alíquota zero de IBS e CBS. Diferente do modelo atual, onde cada estado possui sua própria lista, a reforma unifica os itens isentos em todo o território nacional.
• Imposto Zero: Arroz, feijão, leite, pão francês, carnes (bovina, suína e aves), café e frutas.
• Redução de 60%: Itens como óleos vegetais, massas e produtos de higiene pessoal terão uma carga tributária equivalente a apenas 40% da alíquota padrão.
• O Desafio: Supermercados precisarão de um rigor extremo na classificação desses itens no ERP para evitar a venda de produtos “premium” (como carnes nobres ou peixes importados) com alíquota zero indevidamente.
2. Split Payment: O Imposto Não Passa Mais pela Conta
Esta é a mudança mais profunda no fluxo de caixa. Com o Split Payment, no momento em que o cliente paga a compra no PDV (via Pix, cartão ou boleto), o valor do imposto é automaticamente segregado e enviado ao Fisco.
• Impacto no Capital de Giro: Hoje, o supermercado recebe o valor total e paga o imposto semanas depois. Com o Split, o imposto “sai” na hora. Isso exige uma gestão de caixa muito mais eficiente, já que a empresa perde o benefício financeiro de segurar o tributo até o vencimento da guia.
• Crédito Instantâneo: Por outro lado, o supermercado também passa a receber créditos tributários instantâneos sobre suas compras de fornecedores, o que pode equilibrar a balança se a logística de compras for bem feita.
3. Fim da Substituição Tributária (ST)
A polêmica “ST”, que antecipa o imposto de toda a cadeia na indústria, tende a desaparecer. Para o supermercado, isso significa:
• Preços de Compra Menores: O custo de aquisição junto ao fornecedor tende a baixar, já que não haverá o repasse da ST no valor do produto.
• Complexidade no PDV: O imposto passa a ser calculado na venda final (destino). Isso exige que o software de frente de loja esteja perfeitamente integrado às novas alíquotas de IBS/CBS do município e estado onde a loja está.
4. Gestão de Resíduos e Produção Própria
Padarias e açougues dentro de supermercados agora são vistos como “industrializadores” no novo sistema. A transformação de carne em espetinhos ou de farinha em pães gerará créditos de insumos que antes eram perdidos ou mal aproveitados. A eficiência em aproveitar créditos sobre energia elétrica e embalagens será o novo diferencial de margem do setor.
Conclusão: Tecnologia como Sobrevivência
Para o dono de supermercado, a Reforma Tributária não é uma questão contábil, mas de infraestrutura de dados. Sistemas que não suportarem o cClassTrib (o novo código de classificação) ou que não estiverem prontos para o Split Payment em 2026 deixarão a operação vulnerável a multas e perdas de margem.

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Sobre o autor

Paulo Felipe

Redator Especialista em Fintechs