Desde janeiro de 2026, as empresas brasileiras entraram oficialmente em um “laboratório tributário”. Não se trata de um novo imposto para aumentar a carga atual, mas de uma alíquota de teste de 1% desenhada para calibrar os sistemas antes da mudança definitiva que ocorrerá em 2027.
O Que é Esse 1%?
Para que a transição não ocorra “no escuro”, o governo instituiu uma cobrança simbólica dividida em duas partes:
• 0,9% para o Governo Federal (referente à futura CBS);
• 0,1% para Estados e Municípios (referente ao futuro IBS).
O objetivo é técnico: testar se a infraestrutura digital suporta a emissão, o processamento e a comunicação entre as empresas e o Fisco em tempo real. É o momento de garantir que os softwares de gestão e frente de loja estejam emitindo as notas com os novos campos configurados corretamente.
Por Que Isso Não é um Aumento de Imposto?
Embora o destaque na nota fiscal seja obrigatório, o sistema foi desenhado para ser financeiramente neutro neste primeiro ano:
1. A Empresa Destaca: O valor de 1% aparece na nota e é recolhido.
2. A Empresa Abate: Esse exato montante é descontado (abatido) do que a empresa já deve pagar de PIS e Cofins no fechamento do mês.
3. Resultado: O desembolso final de caixa para o governo continua o mesmo. É uma antecipação compensatória que não altera a carga tributária em 2026.
O Risco da Inércia Operacional
Embora o impacto financeiro seja nulo agora, o erro operacional pode custar caro. Notas emitidas sem o destaque correto desse 1% podem ser rejeitadas pela SEFAZ ou gerar inconsistências que impedem a empresa de reaver o crédito dos impostos antigos.
Para o varejo e o atacado, 2026 é o ano de “ajuste de máquinas”. Quem não adaptar seus processos agora para entender a lógica do crédito imediato terá dificuldades críticas de fluxo de caixa quando as alíquotas plenas entrarem em vigor.
