O setor de atacado e distribuição vive um momento de alerta máximo. Com o avanço da Reforma Tributária, a Substituição Tributária (ST), modelo onde o imposto de toda a cadeia é antecipado pela indústria, entra em sua fase de extinção gradual. Para empresas que operam com grandes volumes de mercadorias, o desafio agora é gerir a transição dos estoques para evitar a bitributação e a perda de margem.
1. O Problema do Estoque “Antigo”
Muitas mercadorias que estão hoje nas prateleiras dos centros de distribuição já tiveram o imposto (ICMS-ST) pago integralmente no momento da compra junto à indústria. Com a entrada em vigor do IBS e da CBS, a venda desses mesmos itens no novo regime poderia gerar uma cobrança duplicada se não houver um controle rigoroso.
• O Risco: Vender um produto que já teve o imposto antecipado (via ST) e ser tributado novamente pela nova alíquota de saída (IBS/CBS).
• A Solução: O regulamento prevê o direito ao creditamento do estoque existente. As empresas precisarão realizar um inventário físico e contábil minucioso para identificar o imposto “preso” nessas mercadorias e transformá-lo em crédito para abater nos novos tributos.
2. Mudança na Formação de Preços
Sem a Substituição Tributária, o preço de aquisição dos produtos junto aos fabricantes tende a cair, já que a indústria para de cobrar o repasse do imposto antecipado.
• Impacto no Giro: O valor unitário das compras diminui, o que teoricamente exige menos capital para repor o estoque.
• Ajuste no PDV: O atacadista passa a ser o responsável por calcular e destacar o imposto na saída para o varejista. Isso exige que o sistema de faturamento esteja 100% sincronizado com as alíquotas de destino, já que o imposto agora pertence ao local onde o consumo ocorre.
3. Logística vs. Benefícios Fiscais
Historicamente, muitos centros de distribuição foram instalados em regiões estratégicas apenas por benefícios de ICMS ligados à ST. Com a unificação tributária, a “Guerra Fiscal” perde o sentido. O foco do atacado em 2026 volta a ser a eficiência logística pura: estar perto do cliente e reduzir o custo de frete passa a ser mais importante do que o incentivo fiscal do estado de origem.
Conclusão: Auditoria de Dados como Prioridade
Para o setor atacadista, a virada de chave exige uma auditoria profunda nos bancos de dados. Empresas que não tiverem o controle exato de quais itens entraram com ST e quais já estão no novo regime terão sérias dificuldades para precificar corretamente e correm o risco de perder competitividade frente a players que já automatizaram esse “de-para” tributário.
