Em abril de 2026, a transparência deixou de ser um conceito abstrato para se tornar uma obrigação técnica detalhada no varejo. Com a atualização da antiga Lei 12.741/12, a nova regulamentação exige que o consumidor final saiba exatamente quanto de cada real gasto é destinado ao IBS (estadual/municipal) e à CBS (federal). Essa mudança transforma o layout da NFC-e e do cupom fiscal em um documento de prestação de contas em tempo real.

1. A Segregação das Alíquotas no PDV
Diferente do modelo anterior, onde muitas vezes se exibia apenas uma estimativa total de carga tributária (IBPT), a nova “Lei da Transparência” exige a discriminação clara das parcelas do IVA Dual. No momento do fechamento da compra, o software de Frente de Loja (PDV) deve ser capaz de realizar o cálculo preciso das alíquotas incidentes sobre cada item, separando o que é tributo federal do que é subnacional.

Essa precisão é fundamental para evitar questionamentos de órgãos de defesa do consumidor. Em um cenário de transição, onde convivem alíquotas de teste e regimes diferenciados, o cupom fiscal torna-se o principal elo de comunicação entre o varejista e o cliente, demonstrando que a empresa está operando estritamente dentro da nova legalidade.

2. Layout e Experiência do Usuário
A adaptação do layout do cupom não é apenas uma questão de colunas e linhas. O desafio para os gestores é incluir as informações obrigatórias sem comprometer a legibilidade e sem aumentar excessivamente o consumo de papel térmico.

Os sistemas de gestão modernos já trazem interfaces otimizadas que agrupam os impostos por tipo de tributação (IBS/CBS), facilitando a leitura para o consumidor. No autoatendimento, essa clareza é ainda mais importante, pois o cliente tem mais tempo para analisar o extrato digital ou físico antes de concluir a transação.

3. Compliance Automático e Segurança Jurídica
A exibição correta dos tributos no cupom fiscal é a ponta do iceberg de um processo de compliance que ocorre na retaguarda. Para que o IBS e a CBS apareçam corretamente no check-out, as tabelas de incidência tributária e as regras de NCM no ERP precisam estar em constante sincronia com as atualizações do Comitê Gestor.

Empresas que automatizam essa atualização de tabelas garantem que, em qualquer fiscalização de rotina ou auditoria, os dados apresentados ao fisco sejam exatamente os mesmos exibidos ao consumidor no ato da compra. A transparência, portanto, torna-se uma barreira de proteção jurídica para o negócio.

A nova fase da transparência fiscal no Brasil em 2026 convida o varejista a ser um agente de clareza na economia. Exibir o IBS e a CBS no cupom fiscal vai além de evitar multas; é uma oportunidade de demonstrar profissionalismo e respeito ao consumidor. Em um mercado cada vez mais consciente, a empresa que facilita o entendimento do impacto tributário em seus preços constrói uma relação de confiança que é o alicerce de qualquer marca sólida no novo cenário nacional.

Comentários

comentários


Conheça o ERP da Nortesys

Sobre o autor

Paulo Felipe

Redator Especialista em Fintechs