Uma das decisões mais estratégicas para as micro e pequenas empresas em 2026 acaba de ganhar um cronograma oficial. Com a publicação da Resolução CGSN nº 186 em 17 de abril de 2026, o Comitê Gestor do Simples Nacional definiu que o mês de setembro será o período oficial para que os optantes do regime escolham como desejam lidar com o IBS e a CBS a partir de 2027.

Essa janela de opção é um dos pilares da Reforma Tributária para os pequenos negócios e traz um dilema que vai muito além da simples emissão de guias.

O Que é o Regime Híbrido?
A grande novidade trazida pela regulamentação é a possibilidade de a empresa do Simples Nacional escolher entre dois caminhos para os novos tributos (IBS e CBS):

Recolhimento Unificado (Dentro do DAS): A empresa continua pagando tudo em uma única guia, mantendo a simplicidade operacional. No entanto, ela transfere menos créditos tributários para seus clientes.

Regime Híbrido (IBS e CBS “por fora”): A empresa mantém os impostos federais (IRPJ, CSLL, etc.) no Simples, mas passa a apurar o IBS e a CBS pelo regime regular (débito e crédito).

O Dilema da Competitividade
A escolha que deve ser feita em setembro de 2026 impacta diretamente a competitividade no mercado. Se a sua empresa vende majoritariamente para o consumidor final (B2C), permanecer com o recolhimento unificado no DAS pode ser mais vantajoso pela simplicidade e carga tributária reduzida.

Por outro lado, se o seu negócio é B2B (vende para outras empresas), optar pelo regime híbrido permite que seu cliente tome crédito integral do IBS e da CBS sobre a sua nota. Em 2027, quando as alíquotas começarem a subir, o cliente corporativo dará preferência a fornecedores que permitam esse abatimento. Não é apenas uma escolha contábil; é uma decisão de sobrevivência comercial.

Por que Setembro de 2026 é a Data-Chave?
A antecipação dessa escolha para setembro serve para que o sistema tributário nacional e os softwares de gestão se preparem para o ano-calendário seguinte. Uma vez feita a opção, ela tem caráter semestral ou anual (conforme o enquadramento), e a falta de manifestação manterá a empresa no modelo padrão, o que pode resultar em perda de mercado se a concorrência optar por um modelo que gere mais créditos aos clientes.

O desafio para o gestor em 2026 é transformar dados em simulações. O período que antecede a janela de setembro deve ser usado para analisar o perfil da carteira de clientes e o impacto no fluxo de caixa. A Reforma Tributária não eliminou o Simples Nacional, mas adicionou a ele uma camada de inteligência estratégica que exige que a tecnologia e o planejamento tributário caminhem em total sintonia.

Comentários

comentários


Conheça o ERP da Nortesys

Sobre o autor

Paulo Felipe

Redator Especialista em Fintechs